Resenha | Ninfeias Negras, de Michel Bussi

sábado, março 11, 2017



Em Giverny, a pouco mais de 70 km de Paris, se encontra a casa e os jardins de Monet - um famoso pintor francês do Impressionismo - onde ele residiu por 43 anos. A beleza do lugar foi retratada nos quadros que Monet pintava repetitivamente, exaltando as flores, os lagos e as ninfeias. É nesse cenário artístico, nesse pequeno vilarejo inspirador, que o escritor Michel Bussi dá vida a três mulheres, personagens de um dos melhores thrillers que já li em toda a minha vida:

a primeira era má;
a segunda, mentirosa;
a terceira egoísta.
“Quem poderia sonhar em viver em outro lugar? Um vilarejo tão bonito. Mas vou lhe confessar: o cenário está paralisado. Petrificado. É proibido mudar a decoração de qualquer casa, pintar uma parede, colher uma mísera flor. Dez leis proíbem tudo isso. Nós aqui vivemos dentro de um quadro. Estamos emparedados!”
Em um dos lugares mais lindos do mundo, algo assombroso aconteceu. Um homem foi brutalmente assassinado no mais belo jardim de Monet. Uma facada, uma pedrada e a cabeça submersa no lago das ninfeias - o lago que Monet tanto retratou em suas telas. E para dar mais trabalho aos dois investigadores do crime, uma obra-prima - o valioso quadro Ninfeias Negras - misteriosamente desapareceu. Somente as três mulheres sabiam o que havia acontecido... E somente uma delas estava disposta a falar:

a primeira tinha mais de 80 anos e só usava preto;
a segunda tinha 36 e se arrumava para um amante;
a terceira estava prestes a fazer 11 e adorava pintar.
"Os policiais só se interessaram pela segunda mulher, a mais bela. A terceira, a mais inocente teve de investigar sozinha. A primeira, a mais discreta, pôde observar todo mundo com tranquilidade. E até matar!"
"Vocês já entenderam. As três eram bem diferentes.Tinha, porém, um ponto em comum, um segredo, de certa forma: todas elas sonhavam em ir embora."
a do meio era professora;
a mais nova era sonhadora;
a terceira era uma velha que todos chamavam de bruxa.

A minha experiência de leitura com Ninfeias Negras foi (sem exagero) incrível. Se eu puder te dar um conselho agora, eu digo: ANOTE O NOME DESSE LIVRO E LEIA. Eu ainda não tinha lido um thriller que tivesse me deixado tão impressionada ao desvendar o mistério. Michel Bussi arrancou todas as palavras da minha boca, me fez roer todas as unhas e me deixou de cabelo em pé.

Nunca, em toda minha vida de leitora, eu imaginaria um desfecho tão sensacional quanto o desse livro. Aproveito para dizer que, para mim, foi mais surpreendente do que o final de Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christe; inclusive, Ninfeias Negras faz uma referência à Rainha do Crime logo nas primeiras páginas.


O livro é genial. G-E-N-I-A-L. E não somente o final, mas toda a história, o suspense, as teorias que eu criei (foram muitas, acabei com meus post-its) e a construção dos personagens. A estrutura da história é coerente, impecável, mirabolante e viciante. Não se trata somente de descobrir quem é o assassino; existe uma relação entre o leitor e o narrador da história que faz questionar se o próprio narrador é confiável ou não. Em quem acreditar, então? O mistério e a dúvida transbordam, escorrem pelas páginas enquanto nada é o que parece, ao mesmo tempo que tudo faz sentido.

Depois de concluir a leitura, passei alguns dias pensando na obra, folheei algumas páginas, reli alguns trechos e reafirmei - mais uma vez - a genialidade de Michel Bussi. Ele fez tudo tão bem estruturado que, talvez, eu tivesse matado a charada. Se engana quem pensa que o grande xis da questão é descobrir quem é o assassino. Há muito mais em Ninfeias Negras. Definitivamente, há muito mais.
"Agora posso confessar, já que estou a par.
A ocasião e o cenário são ideais para isso.
A MORTE VAI ATACAR DE NOVO EM GIVERNY.
Palavra de bruxa!"
Michel Bussi está entre os autores que mais me surpreenderam, e agora eu quero ler tudo que ele escrever.

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Sinopse: Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho. É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte - principalmente as protagonistas. Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.
 Livro recebido em parceria com a Editora Arqueiro.

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4 comentários

  1. Adorei a sua resenha! Fiquei MUITO curiosa pra ler esse livro de vrdd. Com certeza vou colocar ele na minha lista de desejados pra ainda esse ano porque adoro livros de mistérios daqueles que você tem a resposta só no final e fica toda hora com uma teoria na cabeça haha. Adorei seu blog também. Vou ficar aqui um tempo lendo resenhas para colocar mais livrinhos na minha lista de leitura <3

    Jedi de Óculos/

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    1. Que bom, Carolina! Fico muito feliz sabendo disso. Ninfeias Negras é um livro sensacional! Espero que goste tanto quanto eu! Seja muito bem vinda ao meu cantinho <3

      Bjão!

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  2. Amei esse comentário, às vezes leio no Skoob aquela sinopse que normalmente não fala nada com nada, mas realmente amei seu texto, me deixou com mais vontade de ler o livro. Fazer referência Agatha Christie?? Que maravilha, só tenho a esperar coisas boas dessa leitura!!! :)

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    1. Espero que goste, Ane! Ele se tornou um dos meus livros favoritos!

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